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sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Pensando, pensando...

Uma meditação blogosférica!



Acho que preciso resolver a minha relação tempestuosa com este blog. Como todas as minhas relações, aliás.

O blog me atrai e me afasta. Era um amor, um encantamento. Quedou-se em obrigação. Quase um suplício. E eu olho pra ele, ele pra mim... E eu penso: mas, por que, diabos, tenho de bater ponto aqui?

Que compromisso é esse que com os leitores, se pouco sei acerca deles?

Um ou outro, certamente, conheço. Mas, à maioria, nunca disse um “olá”. E, talvez, nunca venha a dizer.

É diferente do jornal. Lá, é o meu ganha-pão. Há uma obrigação profissional a cumprir. Mais não fosse, para garantir o leite das crianças.

No entanto, insisto em vir aqui. Nem que seja para produzir porcarias, como o post abaixo. Com uma edição de última, um poeminha de penúltima e uma seleção musical que parece coisa de bêbada – e o pior é que foi...

É engraçado como criamos laços, mesmo virtualmente.

É engraçado como entabulamos um papo, assim, tão francamente, que até as mesas de bar – e o indefectível barman, o profeta de todos os bêbados – morreriam de inveja.

Será pela ausência do “olho no olho” ? Acho que não. Afinal, já passei pela experiência de conhecer, pessoalmente, a quem só conhecia deste universo virtual. Foi agradabilíssimo – só espero que mutuamente...

E mesmo com as pessoas que já conhecia, parece que o depois se tornou infinitamente melhor que o antes. E nem precisei fumar um cigarro. Ou engatar o clássico: “foi bom pra você?”.

Sei lá. Talvez, aqui, exercitemos, mais que nunca, o lúdico. Rimos, falamos mal do mundo. E parece que quase podemos tocar uns aos outros; ouvir as nossas risadas. É como se encontrássemos, enfim, a nossa “tchurma”.

E é por isso que preciso resolver essa relação tempestuosa.

Nunca fui de “tchurmas”. E até morro de medo delas. Sempre gostei de me sentir “babanianamente” independente, se é que vocês me entendem, ó “xentes”!

Sabe, é aquela coisa de achar que você faz e acontece sozinho. Que pode ser mais. Como se fosse o infinito e, não, apenas, parte dele. Com partes e partes entrelaçadas. Por vezes, infinitamente mais belas, necessárias e brilhantes que você.

Será que um blog, afinal, não passa de um grande divã de psicanálise? E quem seriam os analistas? Essa plêiade de leitores tão amalucados quanto nós? (Adesculpem, leitores! Mas é que estou tentando abrir o coração, vocês me entendem?).

Coisa estranha, essa, a sociedade em que vivemos. Não, não é que estejamos ou sejamos sozinhos. É, antes, como se tivéssemos criado todo um novo mundo, para sermos outros.

Não, não se trata de mais uma máscara social ou de um universo paralelo. Afinal, continuamos sendo, concretamente, todos os dias, para toda a anterioridade.

Até que ponto essa experiência nos modifica, isso é papo para trezentas grades – e com o “profeta” de plantão a mediar tais debates.

O que não há dúvida é que esse “Éden” que criamos é profundamente belo; inescapavelmente belo. É nosso. É “nós”. Em duplo sentido...

Somos as comadres do terceiro milênio. Patrulhamos e torcemos os narizes a todos os comportamentos diferentes. Mas, ao mesmo tempo, abrimos um senhor espaço para que a atingida (o) possa rodar a baiana. E até nos levar a concordar – e a chorar – com ela (ele).

Seremos, quem sabe, uma grande ágora. Mas, com uma vantagem indiscutível: aqui, com certeza, não condenaríamos Sócrates a beber cicuta. No máximo, ele esbravejaria de blog em blog. E seria deletado do orkut...

Mas, quem sabe, não iríamos, todo santo dia, ao blog socrático, nem que fosse para a nossa sessão diária de camisa de força? Ou para, numa higiene mental, francamente narcisística, pensarmos: “esse daí pensa que sabe. Eu, pelo menos, sei que não sei. Já tenho uma vantagenzinha em relação a ele, pois”.

E é por isso, repito, que preciso resolver a relação tempestuosa com este blog.

Porque ele me fez gostar e querer sempre mais. Mais, talvez, até de mim.

Já o transformei uma vez. E, talvez, o transforme duas, três, mil vezes.

Vou pensar nisso. Pensemos, não é mesmo?

10 comentários:

Anônimo disse...

eiiii, não desanime! ao contrário, seja mais assídua, afinal como vamos ficar sem as suas notícias exclusivas? sou um anônimo viciado nesse blog.
E tem governo novo.Serão quatro anos "sob nova direção".Matéria jornalística não vai faltar, pode crer.Continue.Por favor.

Anônimo disse...

Querida vizinha, ôlá!

Oscar Souto disse...

NÃO PARA ! NÃO PARA ! NÃOOOOO !!!

"Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada"

Isso que é jornalismo investigativo.

Atenciosamente,

OSGA

você sabe disse...

a sua perereca é bem visitada,
uma das mais requisitadas.
HAHAHA

Anônimo disse...

Luluquefala dá uma idéia:
DESAPAREÇA E NÃO FARÁ FALTA ALGUMA.

Luciane Fiuza de Mello disse...

Olá Ana Célia, descobri seu blog por indicação de um amigo. Até reproduzi uma de suas postagens (aquela do R$1,99) numa lista de e-mails que rolou na época das eleições.
Também sou blogueira, mas um pouco relapsa, passo tempos sem postar. estou tentando ser mais assídua. Sobre o assunto desta postagem acho que, apesar dos insultos, a troca de idéias vale a pena. Deixar nossos textos, matérias, pensamentos registrados é legal. Além de ser uma ótima terapia já que a gente (no meu caso) até se aventura em outras áreas como a Fotografia e a Poesia.
Sempre haverá discordância, sempre haverá baixaria, mas somos escorpianas (descobri lendo seu blog) e saberemos destilar nosso veneno em quem merecer.
Parabéns pelo blog, só não curti muito a cor, não gosto de rosa.
Mais um detalhe: meu blog é "sapo" e o seu é "perereca". Acho que isso é sinal de que poderemos ser amigas virtuais, não é? Com essa deixa, muitos vão dizer, por falta do que dizer, que vamos começar a ter um longo caso. Fazer o quê? Rir e prosseguir.
Um abraço e não pare de postar.
Luciane B. Fiuza de Mello.
Estudante de Jornalismo.

Anônimo disse...

suma de vez... logo logo vc vai fazer parte da relação dos DAS do estado na cota do seu patrão. Igualzinho como no governo Almir, quando o seu padrinho era o Hildegardo e tb no governo jatene quando a sua madrinha era a Valéria Pires Franco. Só vc mesmo pra estar em todas.Acaba sempre indo pro lado que ganha. E suga, suga, suga e depois joga fora.
Ô pererequinha sabida.

Ana Célia Pinheiro disse...

Ao último anônimo: como disse, antes, ao deputado Vic Pires Franco, no blog do Barretto, não tenho dono. Tenho patrões que pagam pela minha força de trabalho. Talvez, esse não seja o seu caso. Mas é o meu – e o de bilhões de trabalhadores, em todo o mundo.

Porém, nunca me foi pedido que vendesse, junto, a consciência – nem eu consentiria nisso. Nunca fui, portanto, “afilhada” de alguém. Todas as vezes que trabalhei no serviço público, foi pela minha competência profissional. Jamais por “apadrinhamento”.

Vim da iniciativa privada e tornei à iniciativa privada. Não desgosto do serviço público: tenho sincero prazer em servir ao público. Até porque compreendo, visceralmente, que todos somos criações societárias. Tudo o que sou e o que poderei vir a ser devo à sociedade – todos, só existimos coletivamente, não é mesmo? Então, jamais me importarei em servi-la, muito pelo contrário. É honra, não obrigação.

Mas, sinceramente, anônimo, você se enganou. Nunca fui “hildegarista” – se fosse para ser algo assim, seria, antes, “zindanista”, uma mulher que respeito muitíssimo, pelo jogo de cintura. E que me convidou para trabalhar, sem nem me conhecer. Mas, por um artigo que escrevi.

Também nunca fui “jatenista”, nem “valerista”: fui, um dia, Almirista. E isso não é novidade alguma, todo mundo sabe disso.

Mas, já era Almirista, antes de ir trabalhar no Governo dele. Porque me encantei com ele, desde os tempos em que, ainda, era secretário de Saúde. E também só fui trabalhar no governo dele porque acreditava: na época, estava empregada.

Mas, o “Dr. Almir” sempre conseguiu expressar muito daquilo em que sempre acreditei...E creio, sinceramente, que, em minha vida, nunca mais haverá alguém como ele...

Sempre soube que o Dr. Almir acabaria como Antonio Lemos: velho, sozinho, amargo, arrastado pelas multidões. Aliás, expressei isso a outros tucanos. Porque ele é autoritário demais. E nunca conseguiria acompanhar a evolução dos tempos, para a qual contribuiu muitíssimo, aliás...

Mas, sempre me orgulharei de ter trabalhado para ele. Porque, mesmo no chão, sigo acreditando que Almir é, efetivamente, o maior governador que o Pará, alguma vez, sonhou ter...

E faço tais considerações hoje. Jamais as faria num campo de batalha. Lá, todos sabemos quem somos. E o que devemos, efetivamente, fazer...

Não me arrependo disso; não me arrependo de nada do que fiz ou faço na vida. Até porque, aquilo em que não acredito, simplesmente, não faço. E não há força na terra, no céu ou no inferno, que me faça fazer.

Não se credite, portanto, anônimo, a outrem, o que quer que tenha feito. Fiz porque quis. Porque acreditei. E arco com o ônus disso.

Também nunca abandonei o barco, quando estava a afundar. Quando fui trabalhar com o Jatene, foi por escolha de superiores – o que ele aceitou, aliás, depois de ter recusado outras indicações.

Tenho muitas restrições ao Jatene, mas, acredito, ele confirmará isso a você. Como também confirmará que quase me implorou para ficar, quando decidi sair. E eu imagino o quanto isso deve ter sido difícil para ele, que não está acostumado nem a pedir, quanto mais a implorar...

Da mesma forma, nunca pedi para trabalhar com Valéria – ela me convidou. E até aumentou o meu DAS, para que participasse mais efetivamente da assessoria dela.

Também não fui exonerada – saí porque quis, no início de 2005, portanto, muito antes que se pudesse, ao menos, imaginar a vitória das oposições.

E para essa vitória, sei o quanto contribuí, com o meu trabalho. Ninguém precisa me dizer isso. Eu sei. E novamente, anônimo, arco com o eventual ônus dessa opção.

Não sou nenhuma “fodona”, anônimo. Mas, se você se der ao trabalho de se informar a meu respeito, vai descobrir algumas coisas significantes.

A primeira é que, modéstia à parte, sou competente naquilo que faço. A segunda, é que sou honesta – o que não é favor algum; é obrigação, diga-se de passagem. A terceira é que sou um “todo terreno”, pé de boi para o trabalho. Atravesso madrugadas, analisando papéis. E percorro a Transamazônica sorrindo.

Logo, não preciso do Estado. Pelo contrário: a cada dia, penso em mergulhar, mais profundamente, na iniciativa privada. Até para fazer o que todo mundo sonha: ganhar dinheiro. Afinal, já tenho 46 anos. Já lutei, coletivamente, por várias reencarnações. Quem sabe, não tenha chegado a hora de fazer alguma coisa por mim, não é mesmo? Mas estou divagando. Retomemos o fio da meada.

Para seu controle: pretendo continuar no Diário do Pará. Até quando, sabe Deus. Como todas as minhas relações, essa, também, é pra lá de tempestuosa. Mas gosto da iniciativa privada. Me pagam pela produção. E isso, para mim, é muito bom.

Também gostei da convivência com o PMDB. É, certamente, um partido problemático. É um saco de gatos e, por isso, nunca será, exatamente, um partido.

Mas, talvez por ter nascido da luta contra a ditadura, o PMDB tem incrível capacidade de convivência com os pensamentos divergentes. E, sinceramente, gosto disso.

Essa foi uma das razões, aliás, que nunca me permitiram filiar ao PSDB – o que teria sido o caminho natural.

Esse grupo no poder partidário, sempre me pareceu profundamente messiânico, arrogante, intolerante. E de igreja, mano, eu já vim. Aliás, até estudei, em seminário, para ser pastora.

E da intolerância política, mano, também já vim. Aliás, fui simpatizante do PRC.

Por ambas as experiências, aprendi a amar, profundamente, o humano, o laico, a democracia...

Infelizmente, para você, não pretendo desaparecer. Só estou pensando a reformulação deste blog.

Devo isso às centenas de pessoas que visitam este blog – são mais de 12 mil acessos registrados aí na página, se você se der ao trabalho de ver; fora os quase 5 mil que apaguei, quando reformulei o blog, há uns meses. E a atualização é, apenas, semanal, entre os longos interregnos de TPM da autora.

Estou, apenas, meditando. Mas, com certeza, logo, logo, terei assiduidade até maior do que antes. Tenho, apenas, de refletir. E de me organizar.

Volte sempre. Mesmo quem me xinga, é bem vindo. É um direito seu não gostar de mim ou deste espaço, não é mesmo? Só não se espante quando, ao contrário de estar light e diet feito hoje, decidir distribuir bicudas, inclusive em você. Sou assim. O que é que se há de fazer?

Só não publico xingamentos a outras pessoas. Até porque, creio, quem quiser fazer isso deve se identificar. E arcar com o ônus disso, não é mesmo? Beijinhos, Ana Célia.

Ana Célia Pinheiro disse...

Quero agradecer, sinceramente, a todos os anônimos que têm visitado este blog. E, também, aqueles que se identificam, como o Osga, a Luciane, e "você sabe quem".
Sei que tenho ficado a dever, em atenção, a todos vocês. Infelizmente, não tenho a educação do Juvêncio. Flutuo. Agora, por exemplo, estou bem. Mas, amanhã, quem saberá?
Tenham certeza, porém, de que, quando iniciei este blog, jamais imaginei receber tanto carinho.
Por isso, tenham certeza,também, de que, se, algum dia, resolver escolher uma tchurma, essa será, certamente, a tchurma de vocês. Fico até emocionada. Brigadão, queridinhos! Beijinhos!

Uma admiradora disse...

"A verdade às vezes dói, mas é porque você constrói um mundo só de sonhos e de medo. Levante os olhos, olhe de frente pra ela, olhe bem dentro dos olhos, e veja tudo o que dizem".
Pererequinha, lembrei agora desta música e, de imediato, liguei a letra (me desculpe, por não saber o autor) aos que insistem em querer te atingir com grosserias ou coisa do tipo. É, dona Perereca, a verdade dói. Por favor, eu me uno ao coro de quem quer te ver sempre por aqui.
Um grande abraço.