Ban

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Festa IV

Festa no meu Apê IV




_Comadre, comadre! Você já viu os jornais de hoje?
_E como é eu posso, cumadizinha, com essa festança no meu apê?
_Pois, então, se aprepare...Se assente, que é pra não cair!
_Ué, o que foi que aconteceu já?
_Comadre, a Plebe Rude tomou o poder!
_Que? Me deixe ver esses jornais! Égua!!!... Derrubaram El Rey!!!... “Carruagem vira em Varennes” !!!...“Sovietes assumem o Brejo”!...Sovietes?!!!
_Eles não se esquecem, comadre, eles não se esquecem...
_Caramba!... “Onda vermelha varre a província!”...
_E o príncipe Clean macambúúúzio!...
_Ué? Colocaram a “Beijoca Proletária” no lugar de El Rey?!!! E tem esse modelo já?
_Ô comadre, é a Beijoca repaginada! Arreleve!
_Égua!!!... Nomearam o lorde Sudão pra “Grilo Falante”!... E tem esse cargo?...
_Ô comadre, apare de se atormentá, mais é! O seu problema é “apreguntááá” demais... Se você continuá assim, vão chamá a festa no seu apê de Baile da Ilha Fiscal! Se aquieeete no seu canto!...
_Mas é que eu não tô entendendo nada!!!...
_Mas num é pra intendêêê, comadre! É pra acompanhááá a procissão...
_Mas o lorde Sudão e esses neos, news sovietes não eram inimigos?
_Ô comadre! O seu problema é que você não entende nada de política. Pere aí que vô chamá um especialista! Ô seu Barão, ô seu Barão! Se achegue aqui!

(A iluminação muda. O DJ ataca “New York, New York”. O Barão, de fraque, cartola, bengala e cercado pelas quatro “indaietes”, canta e dança: “Start spreading the news/I'm leaving today/I want to be a part of it/New York, New York/These vagabond shoes/Are longing to stray/Right through the very heart of it/New York, New York/I wanna wake up in a city/That doesn't sleep/And find I'm king of the hill/
Top of the heap/These little town blues/Are melting a way/I'll make a brand-new start of it/In old New York/
If I can make it there/I'll make it anywhere/It's up to you/New York, New York/New York, New York/
I want to wake up/In a city that never sleeps/And find I'm a number one, top of the list/King of the hill, a number one/These little town blues/Are melting a way/
I'm gonna make a brand-new start of it/In old New York/And... if I can make it there/I'm gonna make it anywhere/It's up to you/New York, New York”).
(aplausos)

_É “mermo” um artista...
_E da melhor qualidade, cumadizinha! E da melhor qualidade!
_Do Brejo para o mundo!
_Do Brejo para o mundo!
_Boa Noite, minhas senhoras! Há quanto tempo, não é?
_Mas, como? Faz dois atos que o senhor saiu Hare Krishna e volta, assim, mistura de Fred Astaire com Frank Sinatra...
_São os ventos, minha senhora! Precisamos acompanhar os ventos da mudança!
_Mas ele continua bilezinho!...
_Huuuummm!...Você ainda não viu nada! Espere ele falá do “Gladiadô”...
_Agora mesmo eu comentava, com alguns parceiros, sobre aquela cena nova e extraordinária, daquele filme novo e extraordinário...
_Vixe Maria! Vai começá!...
_Não sei se a senhora assistiu, dona Perereca. Mas é um filme fantástico, sobre a cadeia produtiva da coragem...
_Que diabo é isso já?
_E eu é que sei, comadre! Se você não acompanhá o discurso do ômi, quem é que aconsegue?
_Os gladiadores estão no centro da arena. E soltam os leões...
_Eu diria que até tarde!...
_Pois não é, comadre?...
_E veja só que coisa fantástica, dona Perereca: o líder nem estremece!...
_Não tenho palavras!...
_Nem eu, comadre! Nem eu!...
_E é, então, dona Perereca, que ele – o líder! – diz uma coisa que eu considero fantástica: não podemos nos dispersar! Precisamos estar juntos! Porque, juntos, somos fortes! Somos, verdadeiramente, invencíveis!...
_Comadre, eu vou pegá uma caixinha de Kleenex!...
_Pegue uma pra mim, também, cumadizinha!...E não se esqueça do meu Prozac!...
_A senhora entende a profundidade do que eu estou dizendo?
_Com certeza, Barão!... Estou até me desfazendo em lágrimas!...
_Não chore, minha senhora! Eu sei que eu sou, realmente, algo novo...
_...E extraordinário! Machado de Assis que o diga!...
_Essa cena eu considero, realmente, de uma significância irretocável. O confronto final entre o ser e o parecer!... Não sei se estou indo rápido demais para a senhora...Não sei se a senhora está conseguindo acompanhar a profundidade do meu raciocínio?...
_Com certeza, Barão!...Sou freudiana desde pequenininha...
_Veja: eu sei que há parceiros morrendo de medo, por causa da queda de El Rey. Sabe, é aquela analogia dos gladiadores e dos leões, a senhora compreende?
_Com certeza, Barão! Nem Esopo faria melhor...
_E eu, agora, tenho de encarar o que o destino me reservou!
_É: o destino e seus nomes!...
_Com a queda de El Rey, eu serei obrigado, fatalmente, a arregimentar o nosso exército!...
_E eu avalio o quanto o senhor está sofrendo, não é “mermo”?...
_A senhora é testemunha, dona Perereca, do quanto eu abomino o poder!
_(...)
_Nunca quis nada disso: corte, rapapés...Dinheiro!?...
_(...)
_Mas, eu não sei...Parece sina...Essas coisas me perseguem! A senhora entende, não é, dona Perereca?
_(...)
_No fundo, às vezes, eu acho que só a senhora me compreende!...
_(...)
_Bem, infelizmente, se a senhora me der licença, eu preciso ir. Tenho de consolar os meus parceiros. E fazê-los entender, enfim, essa analogia nova e extraordinária dos gladiadores e dos leões! Adorei a festa no seu apê, dona Perereca. Vemo-nos por aí!
_(...)
_Tome lá, o Kleenex, comadre! Ademorei porque não achei o Prozac. Só tinha essa tal de maracujina, serve?
_(...)
_Ué, comadre, você andou estagiando com o lorde Balloon?
_(...)
_Vixe, mãe do Céu! Você ta engasgada? Apere lá!
_Cof, cof, cof, cof, cof, cof, cof, cof !!!!...
_Credo, comadre, o papo com o Barão foi tão ruim?
_Água, água!...
_Atome lá esse copo de cerveja, mais é! Que você vai ficá belezuuura!
_Ainda pre...(cof, cof, cof, cof) Ainda prefiro o Inri!
_Chamarrr, querrridinhas!
_Ô seu Inri, adeixe a comadre, mais é, que ela ta em estado de choque!...Tá melhó, comadre?
_Peça pra descer uma grade!...
_Credo, comadre! Se eu soubesse tinha ficado conversando com o Barão...
_Ele não conversa. Ele pensa que "adeclama"!
_Vixe, Maria! Olhe só quem ta entrando no seu apê!
_Caramba! Não é o lorde Sudão e a Beijoca?
_Em aliança e poder, comadre! Em aliança e poder!
_Rápido, cumadizinha, vá buscar a minha cadeira de rodas!

_Adianta, não, comadre! É agora que fecham o seu blog!...

(continua)

Um comentário:

Anônimo disse...

Só estou passando no seu blog pra lhe dar uma força e deixar pelo menos um comentário. Pra não ficar tudo zero, como sempre.
Procure mudar a linha ou o foco do seu blog para que fique mais atraente.O maior exemplo é que há dias passo por aqui e não encontro um comentário sequer.
Sei que vc trabalhando no jornal dos barbalho fica um pouco desacreditada. Mas o que fazer?
É do Jader que vem o seu ganha pão, então é a ele que vc tem de servir. E tem servido bastante.
O que me deixa triste é ver uma jornalista tão admirada no passado, agora ser vista como uma verdadeira topa tudo pelo salário.
Quem conheceu vc no passado não a reconhece hoje.É outra pessoa, outra Ana Célia.
Mas não sei por que diabos não consigo querer o seu mal. Bem que eu queria.Parece que eu continuo vendo aquela Ana Célia jornalista com J maiúsculo que tanto admirei e falei tão bem no passado. Falei e defendi, tenha certeza disso.
Hoje não posso nem pensar nisso pelo bem e pela honra da minha família. E honra, Ana Célia, é uma palavra sagrada. Se aprende ainda bem pequenino, se conquista e se guarda para as nossas futuras gerações. É só isso que faço e continuarei fazendo, defender a nossa honra.
Não vou aceitar que questionem a honra da minha mulher, mãe dos nossos 5 filhos.
Saiba que não espero gratidão de sua parte. Não mesmo!
Espero e exijo como cidadão e servidor público que vc faça um jornalismo justo. Só isso.
Você, como jornalista investigativa, não pode e não deve perder a credibilidade que os seus leitores tem por vc. E anote, quanto mais tempo vc ficar ao lado do jader, mais o seu curriculo vai ficando mais pobre. Fica parecendo um jornalismo a serviço do mal.
No diário do jader, vc jamais poderá cobrir qualquer assunto que toque num fio de cabelos do jader. Estou mentindo? Vc sabe que não.