Ban

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

The Lest

De volta ao começo



Como chegaram a esse ponto? Ela tentava, mas não conseguia compreender. Parecia que não havia palavras. E quando as havia, elas morriam no peito sufocado.

Não, não havia gestos, nem olhares. Eram muros e muros de pedra, erguidos, sabe-se lá por quem.

Desertos? Antes fossem!... Pois, que haveria esperança de chuva. Mas era o desespero puro e simples. Um frio que se impunha, entre abismos e abismos e abismos que os olhos não conseguiam alcançar...

Procurou um tempo passado. Mas os pretéritos se perderam no presente e no futuro.

De que morrera, afinal, tal sentimento? O mais profundo do coração não saberia dizer. Certo dia foi-se, simplesmente. Quem sabe, rendeu-se ao ciclo da vida. Esperando que, lá adiante, houvesse quem o compreendesse. Os filhos, os netos, os bisnetos, enlevados por essa coisa que, distante do chão, convidava a voar sobre todos os universos.

Mas isso seria, quem sabe, o futuro. A recompensa havida, mas que não se veria, afinal. Seria os genes, o sangue, que espalhara pelo mundo. Mas e ela? Viveria em função disso, seria, apenas isso? Uma promessa? Um futuro incerto? Um desejo irrealizado por gerações?

Queria abraçar-se à noite. Novamente, abraçar-se à noite. Como coisa que ouvisse, impunemente, todos os segredos. Queria arder em vida. Ser um átomo decomposto em zilhões de gentes. Queria sangrar por todos os poros, mas indo adiante.

Ao invés de se acabar em desespero, nessa estação enlouquecida, queria recuperar as rédeas da própria vida. Domá-la, como já a domara um dia. Ser além.

Ousar, mais que todas as mulheres do mundo, por gerações. Erguer-se, como quem, de fato, jamais se verga. Ser o rio, jamais um afluente.

Não, não: quem nasceu pra sol, jamais será a sombra, por mais que tente. O adjetivo, por mais que se busque, será sempre no feminino. Impossível tentar não ser.

E o que vier, além disso, será o “ia”: o que poderia, o que haveria, o que seria.

Não, como ele haverá outros homens – sempre os há. E se não houver, haverá, por certo, outras gentes.

Afinal, a mão que corre o corpo, que afaga os cabelos, é, simplesmente, a mão...

Mais importante é ser o que se é, enfim. Olhar-se ao espelho e amar-se, não pelos olhos alheios, mas pelos próprios.

Mas, depois de tanto discurso, continuo pensando: caralho, o que foi que aconteceu?!!!

2 comentários:

alessandro disse...

Célia

esta seria crônica da derrota anunciada da guerreira?

Ana Célia Pinheiro disse...

Definitivamente não. Ainda há muita bola a rolar no gramado, não é mesmo? Bjs.