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sábado, 1 de julho de 2006

Os candidatos - 01/07/06

Priante

As convenções também deixaram claro que Priante não é um laranja, como se poderia imaginar, pelo fato de ter como parceiro, para o Senado, um Almirista abrigado em ninho errado.

Agressivo, organizado, raciocínio ágil e com um discurso bem articulado (embora o vocabulário e analogias precisem descer mais a terra), Priante não é laranja para Priante. Entrou, mesmo, para disputar.

Se tal lhe será permitido, é uma questão a decifrar.

Até porque a boníssima vontade do PT, em relação ao PMDB, não decorre, certamente, dos belos olhos de Jader. Nem de um amor desvairado pelo Pepeca...

No entanto, dos três jovens oposicionistas em disputa, Priante talvez seja aquele a apresentar o discurso mais consistente e de mais forte apelo popular, com factibilidade

Daí a observação atenta dos tucanos à convenção do PMDB.

Além disso, Priante tem, como companheiro de chapa, Hildegardo Nunes. Que, se não tem voto, tem, por outro lado, espantosa capacidade de articulação, o que é determinante para a captação de apoios e até para o aporte de recursos financeiros.


Edmilson


No caso de Edmilson Rodrigues, o caminho é bem mais pedregoso.

Não tem dinheiro, integra um partido inexpressivo, desestruturado e complicadíssimo; uma “seita política”, na qual avulta a disputa pela santidade, a estreitar a margem de manobra no território do profano.

Além disso, o discurso virulento assusta a classe média – daí, talvez, a mira do PSOL no bolso do contribuinte, com a promessa de baixar os impostos.

Um discurso que assusta, também, os cidadãos interioranos, ainda não habituados às extravagâncias do ex-prefeito, como acontece na arrojada capital, até pelo efeito Dudu.

Se parasse de enxergar demônios em todo canto, talvez até se tornasse uma alternativa viável; mas essa deformação é da própria essência partidária.

Será, no entanto, um problema adicional para o PT, reconhecido como irmão siamês do PSDB.

E, por isso, igualmente tratado como inimigo principal: numa amostra grátis do que será o espetáculo, Edmilson já tachou os petistas de “gaviões” da política. Logo os petistas, que sempre adoraram tratar, assim, o indisfarçável irmão...

É possível, portanto, que o pitoresco raciocínio do PSOL acabe por beneficiar o PMDB.


Ana Júlia

Já Ana Júlia Carepa – quem diria o PT...- trará, aparentemente, o discurso mais light e diet da temporada.

Chega até a reconhecer avanços nos governos tucanos – não se sabe se por ato falho ou de causa pensada – mas desde já afastando as expectativas de futuro “bota-abaixo”.

Carismática, Ana pode virar a namoradinha da classe média – torturada pelo reconhecimento dos avanços tucanos e a constatação de que é preciso acelerar a melhoria da qualidade de vida, na base da pirâmide.

Tem a seu favor, além da máquina federal e do eleitor Luís Inácio Lula da Silva, a confiabilidade que desperta nos potenciais aliados – e até na mídia adversária - quanto à capacidade de dividir o bolo.

É uma confiabilidade construída, não, apenas, pela aparente afabilidade de Ana Júlia. Mas pelo fato de a Democracia Socialista, no Pará, ser uma corrente minúscula.

E, principalmente, porque a sua candidatura, articulada em Brasília, já nasce sob o signo da divisão do poder, até para garantir uma azeitada base de sustentação de Lula, no Congresso Nacional.

Pesa contra Ana o baixo entusiasmo que provoca na militância petista, que não enxerga, nela, uma real companheira.

Mas se continuar a se manter num patamar turbinado, até porque em chapa semipura, é possível que supere tal dificuldade.


O Senado


Para o Senado, as perspectivas não são ruins para Mário Cardoso.

Luiz Otávio Campos e Mário Couto correm na mesma faixa do eleitorado – o conservador.

Além disso – até pelo discurso populista e agressivo – são, invariavelmente, escalados para a distribuição de bicudas.

E como partem da crença que têm, um no outro, o principal adversário, correm o risco de destruição mútua.

Até porque, pela qualidade de guerreiros destemidos, não podem recuar da liderança do ataque, sem deixar a descoberto o comandante. E todas essas condições, podem abrir caminho para a ascensão de Cardoso.

Além disso, Luiz Otávio e Mário Couto têm enormes telhados de vidro – coisa que, pelo menos até o momento, sequer se vislumbra em Cardoso.

Se o petista tiver dinheiro e conseguir vencer as graves limitações pessoais – o modo de se expressar, por exemplo, colocando o “s” no lugar certo – pode até virar um belíssimo azarão. Com ou sem as bênçãos do pragmático Lula.


Democracia

E o PT paraense, depois de tantas desavenças e ameaças, dorme, novamente, o sono dos justos.

Coisas da democracia, dizem eles.

Pode até ser.


Expectativa

A expectativa de Jader é que o PMDB, nas próximas eleições, eleja bancadas ainda mais expressivas, na Câmara dos Deputados e na Assembléia Legislativa, do que no pleito de 2002.

Uma estratégia que só terá real eficácia local, em termos de pressão política, se o governador eleito não se chamar Almir Gabriel.

Nem tudo é ameba

Almir precisa compreender uma coisa: nem todo mundo nasceu pra lacaio – ou pra capacho.

Se ele não gosta de ser tratado assim, por que os outros gostariam?

É a pergunta que a Perereca deixa ao “senhor doutor”, que, há 25 anos, atravessava uma pista inteira, só pra me dar um tapinha nas costas...

O golpe


Acuso o golpe.

E não tenho vergonha em fazê-lo – até porque são pouquíssimos os golpes que me atingem, após 27 anos de política.

Acuso o golpe e digo: “senhor doutor”, poderíamos, ao menos, manter um mínimo de civilidade.

Infelizmente, a compreensão do que seja Democracia não é para todos. Muitas vezes, nem para os que imaginam compreendê-la.

Porque, para tanto, é preciso desfazer-se da arrogância, do autoritarismo, da mania de grandeza, da postura imperial.

Dessa coisa nociva de creditar a outrem uma inferioridade inexistente.

Só lamento é que o “senhor doutor” não possa ouvir isso “olho no olho” - e eu lhe desafio - porque, quem sabe, seja o "senhor doutor" a temer isso, não é mesmo?

Não me chamo Dulce, nem Coimbra.

Não temo ninguém. Nem o que quer que seja. Não tenho, rigorosamente, nada a perder.

E é preciso muito mais que arremedo de segurança, para me jogar ao chão. Mesmo com o joelho bichado.

Constatação
Ao frouxo e covarde Simão Jatene, tenho, apenas, uma consideração a fazer: é muito fácil bancar o macho com mulher. Especialmente, quando se está cercado por seguranças parrudos.


A frase do dia:


Que venga el toro!

2 comentários:

Anônimo disse...

Até parece... Como sempre, fingindo que está se fazendo de doida. Credibilidade e honestidade são palavras que não constam em seu dicionário. Macaca velha, não dá cria, ao contrário se coça no galho mais próximo...

Ana Célia Pinheiro disse...

anônimo:

Só publiquei seu comentário porque tenho por norma respeitar, o mais possível, a opinião alheia - mesmo quando ofensiva.
Por isso mesmo, só tenho deletado comentários ofensivos a outras pessoas - porque, aí, já seria demais.
Sinceramente, não dou a mínima para o que você pensa a meu respeito.
Mas acho que, quando as pessoas acusam os outros, deveriam, ao menos, abrir mão do anonimato. Seria, você há de convir, uma atitude bem mais digna.
Até porque, como já disse em outras ocasiões, este blog é assinado. Ou seja, sustento cada palavra que escrevo - diferentemente de você.
Beijinhos,
Ana Célia