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terça-feira, 6 de junho de 2006

Edição 06/06 - Fim da Série

Miserê: série sobre Eduardo chega ao fim


A Perereca é forçada a interromper, aqui, a série de matérias sobre o sobrinho do governador. Por absoluta falta de grana, diga-se de passagem, porque esse tipo de pesquisa demanda tempo e dinheiro.

Considera frustrante não ter ido mais fundo na história da Fonte Boa.

Nem nos contratos da Engecon, empresa ligada a Eduardo.

Na Sectam, por exemplo, há um dado estranhíssimo: à certa altura, contratos mantidos com a Penta Projetos Engenharia e Tecnologia Ltda (CNPJ 05.085.766/0001-30), passam a figurar como sendo tocados por uma certa Engecon, que, no entanto, tem o mesmo CNPJ da Penta. A Penta pertence aos engenheiros Eliezer e José Jayme Levy – esse último, se não estou enganada, é o representante da construtora Paulitec, no Pará.

Além disso, seria preciso esclarecer se não existe ligação entre a Engecon de Eduardo e uma outra empresa, a ENG&CON – Engenharia e Construção Ltda. (CNPJ 01.805.483/0001-64), aberta em 30 de abril de 1997.

É que outras secretarias, além da Sectam e Setran, mantiveram e mantêm contratos com uma empresa chamada Engecon, cujo CNPJ, no entanto, não figura no Diário Oficial. E seria preciso saber a qual das três tais contratos se referem – se a de Eduardo, a do CNPJ da Penta ou a ENG&CON.

O mesmo pode ser dito em relação a prefeituras do interior: no processo 200203244-00, do TCM, conforme publicado no DOE de 30/03/2005, a ex-prefeita Violeta Manfredo Borges Guimarães, de São Sebastião da Boa Vista, foi condenada a devolver mais de R$ 208 mil aos cofres públicos, por pagamentos efetuados, em 2001, a três empresas – entre elas a Engecon Ltda – por obras inconclusas.

Ficam por explicar, ainda, possíveis contratos entre a Ferccon e a Cohab, em 1997, conforme Diário Oficial localizado pela Perereca.

E ainda a feliz coincidência de 10 terrenos de Eduardo terem sido atravessados pela linha de transmissão entre Vila do Conde e Santa Maria, construída pela Empresa Regional de Transmissão de Energia S/A (ERTE, CNPJ 05.321.920/0001-06).

Até porque os projetos originais da obra parecem ter sido modificados, conforme documentação em poder do blog, mas que ainda não foi devidamente analisada, inclusive com o cruzamento de outras informações.

Da mesma forma, não tenho como investigar denúncias que recebi, recentemente, acerca da ligação de empresários que venderam terrenos a Eduardo, com um contador de nome Ladilson Almeida, que se especializou em montar empresas de fachadas, com laranjas de áreas de invasão. Tais empresários teriam negociado imensos débitos junto a Sefa, entre 1998 e 1999.

E fico a dever, também, a nebulosa história do asfaltamento da rodovia que liga Castanhal a Inhangapi, a 136, cujas obras parecem ter sido estendidas até a localidades onde Eduardo adquiriu terrenos.

Ou seja, tenho consciência de que consegui apurar um bom material, ao estabelecer, de forma insofismável, o parentesco entre Jatene e Eduardo e os laços entre Eduardo e a Engecon; os contratos que mantém com o Estado, as terras que adquiriu em Castanhal e Inhangapi, as obras de infra-estrutura realizadas pelo Estado, além do aluguel de um prédio à Polícia Civil.

Mas como não tenho aonde cair morta – e, se não me cuidar, acabo tendo e “de grátis” – sou obrigada a interromper tais investigações, apesar de saber que apenas comecei a levantar o véu da extraordinária história de sucesso de Eduardo Salles.

Gostaria de imaginar que tais investigações podem servir de ponto de partida às autoridades competentes, pagas para fazer esse tipo de trabalho: Receita Federal, Polícia Federal, Tribunal de Contas, Assembléia Legislativa, Ministério Público - Estadual e Federal.

Mas, como já sou bem crescidinha, também me reservo o direito de não acreditar em contos de fadas...

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