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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Mexericos, bebedeiras e afins

Este blogg não tem qualquer finalidade nobre – muito pelo contrário. É, assumidamente, mexeriqueiro e algo bêbado, sempre que a autora estiver nessa condição. Por isso, versará, especialmente, sobre a política tupiniquim.


Quer dizer, se a gente não está em campo, nada impede, ao menos, de xingar o perna-de-pau da ocasião...


Em política, nada melhor do que ser absurdamente incorreto.


A frase do dia

“Na corte, a razão é proporcional ao poder que se detém”.


Direto da mesa de bar


Dia desses tomei conhecimento de um tititi quentíssimo. Diz que a proposta da ocasião, para as próximas eleições, é uma chapa com Almir para o Governo, Luís Otávio para vice e Jader para o Senado – com um “laranja”, para o mesmo cargo, de um pequeno partido da União pelo Pará, para que Almir não tenha de subir no palanque do Jader e vice-versa.


Cá com os meus botões, fiquei a matutar: isso parece coisa do tipo “eu trago a vaselina e tu o restante”. Galinha forreca que não se vende em raposário tão bem freqüentado...


Ora, um candidato “laranja”, qualquer que seja, pode tornar-se competitivo, dependendo das verbas e do apoio que sejam canalizados para a candidatura dele. O Luís Otávio, por exemplo, quem elegeu? E o Jatene? O próprio Ramiro, que era um poste, quase chega lá - só não chegou por causa de um erro de marketing. Então, o fato de se "correr solto" não é garantia alguma. E o risco é imenso: como ficaria a situação do Jader sem mandato e com o Luís Otávio como vice-governador pelo PMDB? Pode-se argumentar que nenhum daqueles que citei era, efetivamente, “laranja”. Mas, quem garante que o candidato proposto, nessa aliança, o será?


Não me lembro se foi Maquiavel ou Gracian quem fez o alerta, mas é certíssimo: em política, um dos piores erros é acreditar que um adversário pode perdoar uma ofensa grave. E o Luís Otávio foi levado algemado e de cuecas para uma delegacia, além de perder boa parte de seu patrimônio. Do Almir, então, nem se fala: todo mundo sabe a aversão que nutre pelo Jader. Seria o Jader tão ingênuo a ponto de se colocar, assim, nas mãos de dois adversários que, se puderem, lhe arrancam o couro, com um sorriso nos lábios?


A meu ver, o único centro de poder que realmente interessa, neste momento, para o Jader é o Governo do Pará. E por que? Porque só o Governo lhe dará garantias reais, efetivas, de recuperar espaço político na dimensão de que necessita até para a sobrevivência dele mesmo e do Helder, em Ananindeua. Quando até um Bira é cooptado da forma como foi (ou seja, introduzido no partido do governador, o PSDB) isso não ocorre pelo eventual peso eleitoral do cara, que é quase nulo, mas pelo simbolismo desse ato. Significa que a debandada é geral e que nem mesmo os mais fiéis se dispõem a continuar ao lado do “senhor”. É uma situação de extrema fragilidade que, se mantida, levará, fatalmente, à morte política.


Agora, vamos imaginar que tudo acontece bonitinho, nos trinques. Almir, Luís Otávio e Jader se elegem. E aí? No Senado, o Jader teria de continuar a se fingir de morto – não creio que o ACM permitisse a sua ressurreição, até porque o discurso do Jader tocou fundo, na mágoa, na dor, pela perda do filho. No Pará, ou seja, na base, o Luís Otávio seria o posto avançado do PSDB dentro do PMDB. Naturalmente, com verbas, assessorias e poder para criar um novo PMDB, do qual seria a liderança máxima. E, para isso, a condição fundamental é o aniquilamento dos Barbalho, aí incluído o Helder. Quer dizer: estamos falando de uma condição em que não sobraria para o Jader nem a sobrevivência através do(s) filho(s).


Assim, em 2010, poderia até haver uma alternância aparente de poder, com o Luís Otávio como governador, pelo PMDB, com o apoio do Almir. Mas, o que restaria, então, para os Barbalho, além da banda passando? O Jader está disposto a virar história? E, sem poder efetivo, quem garante que mesmo um mandato de senador seria suficiente para livrá-lo de uma nova prisão? Mesmo o patrimônio que juntou sobreviveria a isso, ainda mais com os constantes ataques do maior grupo de comunicação local?


Para terminar essas divagações, deixo para vocês uma historinha: o julgamento de Sócrates, há 2.500 anos.


Condenado, ele poderia ter proposto uma alternativa à pena de morte: multa, cadeia, desterro. Mas, como foi que raciocinou? Além de argumentar que a escolha de uma pena, por ele, seria uma espécie de confissão de culpa, disse, mas ou menos nesses termos: “o que há depois da morte eu não sei, ninguém sabe – se é alegria, se é sofrimento. Mas, na cadeia eu sei que vou sofrer. E também se escolher a multa, porque, como não tenho dinheiro, vou ficar preso por anos a fio. E o desterro? É tão ruim quanto, porque, se vocês que são meus compatriotas não me aturaram e me condenaram à morte, é justo que eu imagine que, em terra estranha, será apenas uma questão de tempo para que me matem. Logo, como posso trocar, assim, um sofrimento que nem sei se existe por um sofrimento certo?”.


Pergunta-se: como o Jader pode trocar uma eleição que não sabe se perderá por um acordo no qual estará irremediavelmente perdido?


Cantinho da Poesia


Minha Pasárgada 15/10/2005 22:49
(a Manoel Bandeira)

Minha Pasárgada já não há.
Ficou pra trás, com o trem.
Pra lá do trem.
Em meio a considerações
ao senhor diretor.
Morreu no ponto, sem café, sem pão.
Sem, ao menos, o verbo Teadorar.
Quem sabe fosse uma Pasárgada qualquer
daquelas que acenam em cada esquina,
com promessas de mil delícias,
mas que se apressam em ir embora
em busca de mais um cliente,
volúpia ardente que são.
Minha Pasárgada não fugiu a galope -
e essa já é outra história.
Era, tão somente, noves fora.
Bela, bela
mas necessitada de pneumotórax.
Fumava, bebia, esbravejava...
Não era bem uma ilha, uma utopia,
ou a poesia que bate à porta.
Era uma estação que ia ou vinha ao gosto do freguês.
Minha Pasárgada tem cabelos brancos.
E rugas - muitas rugas.
É o que restou.
É o porto em que me agarro
a fugir da indesejada das gentes.
A vida tem dessas coisas:
transforma todo paraíso em UTI.


Para quem gosta, um excelente Carnaval!

2 comentários:

Aldrovandro disse...

Longa digressão que não explica o que impõe a lógica: Jáder, por razões obvíssimas,não pode arriscar uma aventura aos cargos por você listados, todos eles muito complicados de serem disputados. Para evitar erros que lhe seriam politicamente fatais, nessa eleição, Jáder vai certo disputar a cadeira de deputado federal, de preferência em aliança oficial ou oficiosa com o PT, apostando no Presidente Lula e na construção de uma aliança tática com vistas as eleições municipais de 2008. Quanto ao Almir o ciclo político dele está encerrado, e se não entendeu isto, que preste atenção na affair Serra-Alkmin em SP, onde FHC "sissi" o grande condottieri tucano não resolveu coisa alguma, sinalizando de que não passa de um espécime quase empalhado no museu tucano.

morgue disse...

oi :D

é legal essa poesia :}
vo fazer uma pra ti \o\

mame mame
pq es tão chata?
será que é pq es mala?
ou será pq tu é gorda?
acho que é pq tu é minha mae ;)

lálálá
poisé..
já fiz a minha parte..
chega de perereca por hoje ;*